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Sugestão de Leitura | All Hands on Deck: PMEs a bordo quando o país precisa

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Published on March 5, 2026

All Hands on Deck: PMEs a bordo quando o país precisa

Joana Garopa, Diretora-Geral Garoupa INC e Oradora em iniciativas PWN Lisbon.


Se é CEO, sabe exatamente o que isto significa: quando tudo abana, não há planos B bonitos nem discursos inspiradores. Há decisões difíceis, pessoas a olhar para si à espera de respostas e uma pergunta incómoda a ecoar: como é que vamos aguentar isto?

Portugal está exausto. Cansado de tempestades que não dão tréguas, de cheias que destroem casas, negócios e rotinas, e de uma sensação persistente de fragilidade estrutural. Kristin, Leonardo, Marta — os nomes passam, o impacto fica. E, nestes momentos, não há espaço para poupar esforços quando o que está em causa é ajudar quem perdeu quase tudo.

É precisamente aqui que importa dizer o óbvio — mas nem sempre dito: o papel das empresas faz a diferença. E não apenas das grandes. Das médias e, sobretudo, das pequenas. Das que seguram o país todos os dias, mesmo quando ninguém está a aplaudir.

Antes de mais, um agradecimento claro e direto às empresas que agiram — grandes, médias e pequenas — com rapidez, recursos e compromisso concreto. Não por marketing. Não por likes. Mas porque era preciso agir.

Nos últimos dias, vimos respostas empresariais exemplares. A EDP suspendeu faturação, apoiou clientes com painéis solares danificados e canalizou mais de 800 mil euros para medidas de mitigação. A Brisa isentou portagens na região Centro, assumindo um custo relevante para garantir mobilidade quando deslocar-se era crítico. Os setores bancário e segurador aceleraram processos, anteciparam indemnizações e colocaram equipas no terreno — algo que, para muitas empresas e famílias, fez a diferença entre cair ou resistir.

No terreno, a Cruz Vermelha Portuguesa conseguiu escalar a sua resposta graças a esta mobilização coletiva. A Fundação Calouste Gulbenkian financiou lonas, uma viatura logística e equipamento essencial para limpeza e desobstrução de vias. A Fundação Ageas reforçou o apoio à proteção de habitações. A Galp garantiu combustível às viaturas de emergência. A Missão Continente assegurou bens essenciais. A Santogal e a Fly Rent-a-Car disponibilizaram viaturas. Auchan, Bricomarché, Worten e Zurich contribuíram com materiais críticos. A este esforço juntaram-se ainda Fnac, Darty, Sociedade Central de Cervejas, BP, Deloitte, Glovo, SIBS, Fundação Zurich, Tabaqueira, Fujitsu e Driscoll’s, entre muitas outras.

Há um dado que merece atenção especial de quem lidera uma PME: cerca de metade do valor total angariado veio das empresas. A outra metade veio de donativos individuais. Pessoas comuns. Clientes. Colaboradores. Portugueses que, mesmo quando têm pouco, continuam a dar. Isto diz muito sobre o país — e sobre o ecossistema onde as PMEs operam.

Mas há uma verdade que precisa de ser dita sem rodeios: as PMEs foram também das maiores vítimas destas cheias. Os custos diretos de reconstrução em Portugal ultrapassam os 4 mil milhões de euros. Em zonas como a Marinha Grande, cerca de 90% das empresas reportaram danos: fábricas inundadas, equipamentos destruídos, produção parada. Para muitas, a prioridade não foi ajudar — foi sobreviver.

E é aqui que surge o silêncio. Não vemos nomes de PMEs nos media. Não porque não tenham ajudado, mas porque não comunicam. Porque acham que “fica mal”. Porque receiam parecer oportunistas. Porque, simplesmente, não têm tempo.

Mas esse silêncio tem um custo.

Comunicar impacto não é vaidade. É liderança. É reputação. É mostrar a colaboradores, clientes e parceiros que a empresa tem valores — mesmo quando está em esforço. É também criar exemplos que outros podem seguir.

As crises recentes mostram que impacto social e estratégia não são opostos. O verdadeiro desafio começa quando as águas baixam e as câmaras se desligam. É aí que as PMEs deviam de integrar este alinhamento na normalidade: com parcerias claras, objetivos partilhados e uma comunicação simples, honesta e eficaz.

Porque, em momentos como estes, não há empresas grandes ou pequenas.
Há apenas uma escolha: estar a bordo.

All hands on deck.

Mas e depois?


Este artigo faz parte de uma parceria editorial estabelecida entre a PME Magazine e a PWN Lisbon. 

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